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O Dia da Sagração



Enfim, chegou o mais glorioso dos dias, a data imorredoira de vinte e dois de Outubro do ano da graça de mil setecentos e trinta, quando el-rei D. João V faz quarenta e um anos (…)”, cap XXIV.

As cerimónias revestiram-se de grande luxo e ostentação, uma vez que o dinheiro abundava no reino e a sagração da basílica era um motivo de glória para o rei.

Os festejos vão prolongar-se por oito dias, o mesmo tempo que levou a pedra a ser transportada de Pêro Pinheiro para Mafra. A pompa e o luxo que rodearam estas cerimónias são detetáveis na descrição, por algumas expressões como: “magnífico trono patriarcal”; “cadeiras e dossel de veludo carmesim, com guarnições de ouro”; “o chão coberto de alcatifas”; “vinho branco numa garrafa de prata”; “uma colher de prata, uma concha dourada”; “o anel faiscante”; “os ouros e os carmesins resplandecentes”(…)

A sátira não deixa de estar presente, incidindo principalmente na figura do patriarca, nas suas vestes e nos salamaleques que acompanham a cerimónia e prendem a atenção do povo, alheios às palavras que não conseguem ouvir, já que D. Tomás de Almeida não dispõe ainda das “trombetas electrónicas”. “começou a missa de pontifical, que, claro está, levou o seu tempo, e não foi pouco”; “D. Tomás de Almeida recitando lá do alto as palavras da bênção, tendo boa vista percebe-se-lhe o mexer dos beiços. (…)

 

Personagens

Baltasar Sete-Sóis

[ Baltasar Mateus Sete-Sóis é um dos protagonistas do romance. Foi soldado na Guerra da Sucessão espanhola donde foi mandado embora por ter perdido a sua mão esquerda;

[ Em Évora, começou a pedir esmola para fazer um gancho que lhe substituiria a mão;

[ De seguida, dirige-se para Lisboa;

[ Aparece na obra como um marginal que, na luta pela sobrevivência, não hesita em matar. A sua imagem vai agigantar-se ao longo da obra/ romance após conhecer Blimunda e por mérito próprio, sendo reconhecido o seu contributo na construção do convento e a sua preciosa ajuda na construção da Passarola;

[ Baltasar é jovem, tem 26 anos;

[ Conhece Blimunda, em Lisboa, num auto-de-fé e vai partilhar com ela toda a sua vida. Ajuda na construção do Convento de Mafra, como tantos outros operários que são recrutados em todo o país para esses trabalhos;



[ Participa com grande entusiasmo na construção da passarola que é o sonho do padre Bartolomeu Lourenço. Baltasar contribui com a mão-de-obra e diviniza-se nessa missão. É o padre Bartolomeu que o ajuda a ultrapassar a sua deficiência física.

 

Blimunda Sete-Luas

[ Blimunda, filha de Sebastiana de Jesus, conhece Baltasar no auto-de-fé em que a mãe é condenada pela Inquisição ao degredo em Angola, acusada de ser visionária e cristã-nova. Com Baltasar, constitui o par amoroso que vai contrastar com o casal real;

[ A apresentação de Blimunda é feita pela mãe, num doloroso monólogo, durante a procissão dos condenados em que faz alusão aos olhos de Blimunda, transmitindo-nos de imediato algo de enigmático e misterioso;

[ Blimunda, em jejum, possui capacidades de vidente, ela vê por dentro das pessoas e das coisas;

[ Recusa olhar por dentro de Baltasar, talvez porque o ama e tem receio do que possa acontecer;

[ Blimunda tem uma presença muito forte no romance, possui uma sabedoria muito própria, representa “um elemento mágico não explicado” e aprendeu as coisas sobre a vida e a morte, sobre o pecado e o amor “na barriga da mãe”, onde permaneceu “de olhos abertos”;

[ O encontro deles num auto-de-fé, abençoado pela mãe que viu que Baltasar, aquele homem “tão alto”, seria o homem da sua filha, foi posteriormente “oficializado” pelo padre Bartolomeu numa cerimónia invulgar;

[ Apaixonada por Baltasar, mantém para sempre uma relação de amor, cumplicidade e de companheirismo a que não falta a atracão física revelada em jogos eróticos de prazer;

[ Blimunda não acompanhou o marido ao Monte Junto e pressentia que algo não iria correr bem, daí que o tivesse conduzido para a barraca e o amasse com sofreguidão. Quando se apercebeu de que ele não voltaria, foi ao Monte Junto e viu vazio o sítio onde estivera a passarola. Apenas encontrou o alforge de Baltasar com o espigão lá dentro e percebeu o que se tinha passado. Secou as lágrimas e iniciou uma caminhada disposta a encontrá-lo;

[ O capítulo XXIV narra as tentativas de encontrar Baltasar na Serra de Monte Junto, onde acaba por matar um dominicano, sedento de um momento de prazer. Tentativa de violação de Blimunda pelo dominicano e a morte deste, levada a cabo como espigão de Baltasar, que simbolicamente representa o próprio marido em defesa da sua mulher;

[ O amor de Blimunda por Baltasar foi posto à prova quando este desapareceu e ela, metendo pés ao caminho, percorre Portugal de lés-a-lés, procurando o seu homem. Durante 9 anos, são calcorreados todos os caminhos possíveis chega a entrar em Espanha. Finalmente, ao voltar ao Rossio, no mesmo local onde conhecera Baltasar, está a decorrer um auto-de-fé onde ela encontra o seu marido, o amor da sua vida;

[ A recolha da vontade de Baltasar por Blimunda marca a junção destes dois seres para sempre, simboliza a iniciação de uma outra vida de plenitude e demonstra que “o amor existe sobre todas as coisas”.





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