Главная Обратная связь

Дисциплины:






Padre Bartolomeu Lourenço



Padre católico, formado em Cânones na Universidade de Coimbra, mas não pára de estudar;

Está com Blimunda entre a assistência que vê passar a procissão dos condenados. Acompanha-a quando ela regressa a casa e assiste ao primeiro encontro entre Baltasar e Blimunda, “casando-os logo de seguida”. O padre é cúmplice numa situação ilegal aos olhos da igreja;

Vai surpreender Baltasar quando lhe pergunta se o quer ajudar, dizendo-lhe que “maneta é Deus e fez o universo”. Leva-o a S. Sebastião da Pedreira para ver o projeto da sua máquina voadora;

Vai à Holanda, onde os estudos estão mais adiantados para trazer o “segredo alquímico do éter”;

Tem ideias muito próprias acerca da religião que professa;

A sua amizade com o casal revela que tem ideias muito liberais, numa época em que a mentalidade do povo era dirigida pelo poder da igreja. Face à tirania dos senhores da igreja, o padre fugia a todas as regras e convencionalismos ditados pelo Catolicismo. Na convivência com o casal, aceita a sua relação naturalmente e não se escandaliza com as suas demonstrações de amor;

Tem outras ocupações e preocupações que fazem dele uma personagem multifacetada. O medo que tem de ser apanhado pela Inquisição é cada vez maior e acaba por perturbá-lo pois tem consciência de que há razões para ser condenado. Uma vez que a passarola está construída, será experimentada e transformada em meio de fuga. Após terem fugido, o padre tenta incendiar o engenho e justifica-se respondendo a Blimunda “Se tenho de arder numa fogueira, fosse ao menos nesta”, cap. XVI;

Após este incidente, o padre embrenhou-se pela serra e desapareceu. Baltasar procurou-o mas em vão;

Sabe-se, mais tarde, que o padre morreu em Espanha. É Scarlatti quem dá a notícia a Blimunda;

A sua personagem era conhecida por “Voador”, o que o torna elemento catalisador do voo da passarola, conjuntamente com Baltasar e Blimunda. A tríade corporiza o sonho e o empenho tornados realidade, a par da desgraça, também ela, partilhada (loucura e morte em Toledo, de Bartolomeu Lourenço; morte de Baltasar no auto-de-fé e solidão de Blimunda).

Domenico Scarlatti

É funcionário da corte, músico contratado para dar lições à Infanta D. Maria Bárbara. É aí que Scarlatti vai conhecer o Padre Bartolomeu e se dá início a uma grande cumplicidade. Associa-se ao projeto, acrescentando-lhe a componente musical “(…) trarei para cá um cravo e tocarei para eles e para a passarola, talvez a minha música possa conciliar-se dentro das esferas com esse misterioso elemento (…)” cap. XIV



Assim, os diferentes saberes interagiram na construção da passarola:

- Bartolomeu, com o saber científico;

- Baltasar, com o saber artesanal;

- Blimunda, com o saber sobrenatural;

- Scarlatti, com o saber artístico.

A música constitui um elemento fundamental e é-lhe atribuído um papel importantíssimo não só na construção da passarola mas também como contributo para a cura da doença de Blimunda.

- na construção da passarola: Scarlatti assiste ao início do voo da passarola sem poder participar nele, não podendo por isso partilhar o sonho até ao fim. Mas tocará em terra, enquanto eles se elevam no ar “(…) que indo Domenico Scarlatti à quinta, viu, já chegando perto, levantar-se de repente a máquina (…)”

Sacarlatti destrói o cravo ao atirá-lo para dentro do poço, anulando assim vestígios duma presença que levantaria suspeitas à Inquisição.

 

- na doença de Blimunda, como fonte de vida: Blimunda contribuiu na recolha das duas mil vontades necessárias para fazer subir a máquina. Começou o seu trabalho, mas tinha ainda poucas vontades recolhidas quando surgiu um momento propício para o fazer, uma epidemia que grassava em Lisboa, anunciada pelo Padre Bartolomeu, cap. XV. Cansada de calcorrear as ruas de Lisboa, de tanto subir e descer escadas, Blimunda contraiu uma debilidade que a deixou prostrada. É então que a música de Scarlatti vem mostrar o seu poder curativo, o seu valor sobrenatural, tirando Blimunda do estado profundo de inconsciência em que se encontrava, cap XV.

O Povo

O verdadeiro protagonista de Memorial do Convento é o povo trabalhador. Espoliado, rude, violento, o povo atravessa toda a narrativa, numa construção de figuras que tipificam a massa coletiva e anónima que construiu o convento.

A crítica e o olhar mordaz do narrador enfatizam a escravidão a que foram sujeitos quarenta mil portugueses, para alimentar o sonho de um rei megalómano.

A necessidade de individualizar personagens que representam a força motriz que erigiu o palácio-convento, sob um regime opressivo, é verdadeira alegria de Sramago para todos aqueles que, embora ficcionais, traduzem a essência de ser português.

 

O Amor Contratual: Relação Rei/ Rainha

A obra inicia-se falando do rei e da rainha.

Estamos no século XVIII, em Portugal, vive-se o reinado de D. João V, um dos mais longos da nossa história, envolvido em problemas internos e políticos da Europa, como a Guerra da Sucessão Espanhola. As atenções do Rei estavam concentradas no Brasil, donde vinha o ouro e os diamantes que melhoraram a economia portuguesa. Quanto à política externa, tentou manter-se neutro, estabelecendo ligações estreitas com a Áustria, como prova o seu casamento com D. Maria Ana Josefa.

O Rei e a Rainha

A corte é o centro em redor do qual se organiza o Poder. O Rei e a Rainha são os representantes do poder e da ordem, mas também da repressão, característica dum regime absolutista.

A relação conjugal resume-se a um único objetivo: dar um herdeiro à coroa. Não existe nenhum envolvimento afetivo entre o Rei e a Rainha. Este cumpre “vigorosamente” o seu dever de marido e vai ao quarto da Rainha duas vezes por semana a fim de concretizar o seu dever. A Rainha, a “devota parideira” é já culpabilizada por mais de dois anos de esterilidade. O Rei fica de livre de culpa, uma vez que o reino está cheio de bastardos “que caiba a culpa ao rei, nem pensar, (…) porque abundam no reino bastardos da real semente (…)

Encontro periódico do casal:

· ausência de amor;

· o encontro justifica-se com base na fecundidade;

· ambiente anti-erótico, pelo excesso de roupas, pela presença das camareiras e dos camaristas, pelo artificialismo que rodeia o ato que deveria ser espontâneo e natural.

>

A relação contratual entre D. João V e a D. Maria Ana dá origem às infidelidades do Rei e aos sonhos da Rainha. A infidelidade do Rei, já aludida quando é referida a existência de bastardos, é satiricamente referenciada porque o Rei diz que as freiras o recebem nas suas camas, nomeadamente a Madre Paula de Odivelas.





sdamzavas.net - 2019 год. Все права принадлежат их авторам! В случае нарушение авторского права, обращайтесь по форме обратной связи...